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Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garret

A peça Falar Verdade a Mentir, comédia em um acto, de Almeida Garrett, foi representada pela primeira vez em 1845, em Lisboa, no Teatro da Rua dos Condes, edifício acanhado, construído entre 1756/1765 e assim denominado por se situar em terrenos dos Condes da Ericeira. Posteriormente a peça foi a palco nos teatros D. Maria II, Trindade e Avenida, constando da “ relação das peças de maior êxito em Portugal, pelo agrado e grande número de representações”, como vem referido no Dicionário Ilustrado do Teatro Português, de Sousa Bastos, publicado em 1906.
O mesmo autor inclui Garrett na plêiade dos beneméritos do teatro português do século XIX.
Homem da cultura, das letras e de intervenção política no tumultuado tempo em que viveu, a correspondência particular mantida entre Garrett e grandes nomes da vida política e cultural portuguesas evidencia a preocupação, o empenhamento e a homenagem votados aos assuntos do teatro, como se verifica nas Cartas a Garrett, de Eduardo Honório, publicadas no ano de 2000.
Através de Falar Verdade a Mentir o autor projecta para o palco aspectos do quotidiano e de um certo modo de ser e de estar burgueses que faz sobressair com humor.
Foi nosso propósito procurar reconstituir os traços de um ambiente doméstico oitocentista através de figurinos e cenário realistas concebidos com base em textos e gravuras da época.
A representação desta peça neste espaço emblemático que recebeu o nome de uma mulher nascida nesta Vila e que é considerada um grande vulto do teatro português de oitocentos, significa também uma tripla homenagem feita pela cooperativa Teatro dos Castelos a Esther de Carvalho, a Garrett e ao Concelho de Montemor-o-Velho.

Ficha Técnica
Direcção artística: Júlio Sousa Gomes
Elenco: Júlio Sousa Gomes (Brás Ferreira), António Lourenço (General), Cláudia Salgado (Amália), Isabel Cardoso (Joaquina), João Paulo Roxo (Duarte Guedes), José Castela (José Felix) e Tiago Canoso (Criado)
Cenografia: Rui Rodrigues
Luminotecnia: Nuno Patinho e Bruno Crispim
Figurinos: Palmira Parente assistida por Sílvia Silva
Execução de Figurinos: Atelier de Maria Azenha Paulino
Grafismo: Ana Biscaia
Fotografia: Carlos Osório e José Vieira
Produção: Teatro dos Castelos