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Teatro

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Nós numa Corda

NÓS NUMA CORDA
De Miguel Castro Caldas
Pelo Clube de Teatro da Sec. de Montemor-o-Velho / Teatro dos Castelos

SOBRE O TEXTO

Miguel Castro Caldas, a propósito de Nós numa corda, diz coisas como estas: “Lembram-se daquele caso do telemóvel que foi filmado e tudo? Da professora e da aluna? No meu tempo não havia telemóveis, claro, mas nunca nenhum professor me tirou nada. Os professores davam. Davam notas, davam faltas, davam fotocópias, davam o livro de ponto ao pessoal auxiliar. Os alunos é que tiravam: boas notas, negativas, tiravam coisas uns aos outros. Mas mudou alguma coisa? A escola, quando se vai lá, aquilo está sempre cheio de alunos. Que nunca crescem. Têm sempre mais ou menos quinze anos. Ou são os alunosque estão de passagem, e os professores a vê-los passar. Cada um puxa a corda para o seu lado, ou o telemóvel. Quem dá e quem tira, quem percorre os corredores? Ou serão os corredores a percorrê-los?”

SOBRE A ENCENAÇÃO

Este é um projecto pedagógico resultante de um protocolo entre a Escola Secundária de Montemor-o-Velho e a Teatro dos Castelos - Cooperativa de Cultura. Queremo-lo um
trabalho em aberto, em processo, na procura contínua de um modo melhor, em devir,
como em constante devir flui a escola e flui a vida, de cujas estrondosas mudanças aquela é efervescente câmara de eco. Talvez a comunidade educativa, a que se destina
prioritariamente, necessitasse mais de um texto a apontar caminhos e ajudar a sarar
feridas, neste tempo que é entusiasmante de liberdade e de potencialidades, mas também perturbante de deriva. Mas existirá no texto dramático algum género de redenção? Talvez ela exista mais na afectividade, na alegria honesta da criação do espectáculo. Procurámos assim enfrentar um texto que reflecte o quotidiano no seu jeito de manta de retalhos, tentando emprestar-lhe uma unidade que gostaríamos de ver assomar no pequeno caleidoscópio das soluções adoptadas: entre as palavras, os sons e o movimento, o vislumbre do prazer de criar em conjunto, agregando participações e saberes da gente disponível na escola, arrostando com as dificuldades de substituir coros por corifeus, cosendo uma fragilzita coisa quasi épica de cumplicidades, ainda hoje, não percebendo, amedrontados e contentes, se, na estreia, a tal colcha de trapos haverá de aparecer ao menos pespontada. Muito obrigado a todos. Júlio Sousa Gomes

Intérpretes: Ângela Sousa, Diana Martinho, Diogo Oliveira, Luís Simões, Mariana Ribeiro, Ruben Pinto e Tânia Cavaleiro Intérpretes no Vídeo: Ana Leitão, António Oliveira, Celeste Antunes, Cristina Janicas, Gualter Cordeiro, João Aveiro, José António Cação, José Castela, Vanessa Simões e Vítor Silva Direcção Artística: Júlio Sousa Gomes Vídeo: José Vieira Apoio à encenação: José António Cação Fotografia: Jorge Valente Luz: João Paulo Roxo Produção: Teatro dos Castelos - Cooperativa de Cultura.

Espectáculos: 14 Abril e 12 Maio 09, Esc. Sec. Montemor-o-Velho; 18 Abril 09, Teatro Viriato (Festival Panos).